
Erika Hilton: de Francisco Morato aos 1,6 milhão de votos
Oito capítulos, de 1992 a 29 de outubro de 2026: a periferia, a rua, a carteirinha de Itu, a vereança, a CPI, duas eleições para a Câmara, a PEC do fim da escala 6x1 e os processos. Cada fato leva a sua fonte e o seu status.
Da periferia de Francisco Morato à mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados.
Erika Santos Silva, conhecida como Erika Hilton, nasceu em 9 de dezembro de 1992 em Franco da Rocha (SP). Cresceu em Francisco Morato, viveu na rua na adolescência e voltou aos estudos pela EJA. Filiou-se ao PSOL em 2015, foi eleita vereadora de São Paulo em 2020 e deputada federal em 2022, e foi reeleita em 4 de outubro de 2026 com 1.596.472 votos, a maior votação já dada a uma mulher para a Câmara. Foi uma das duas primeiras mulheres trans eleitas para a Casa e preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Encabeçou a campanha da PEC do fim da escala 6x1, promulgada em 16 de outubro como Emenda Constitucional 141. É parte em processos de ambos os lados, e este especial traz o status de cada um em 29 de outubro de 2026.
Texto factual e sem juízo de valor. Fato é o que consta em decisão, lei, dado oficial ou reportagem identificada; alegação é dita como alegação, com a resposta de quem é acusado quando houve. Onde o PautaBR não achou o desfecho, o texto diz isso. Nada aqui é condenação, salvo quando a fonte assim o diz. A vida privada dela só entra quando ela própria a tornou pública.
Franco da Rocha, Francisco Morato e a rua
Nascida em Franco da Rocha e criada na periferia de Francisco Morato por mulheres da família, Erika Santos Silva passou a adolescência entre Itu e a rua.
- 9/12/1992
Nasce em Franco da Rocha (SP)
Erika Santos Silva nasceu em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, segundo os registros da Câmara e as biografias.
Fonte: Câmara dos Deputados, biografia e Dados Abertos (consulta de 29/10/2026); Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton
- Infância
Criada em Francisco Morato por mulheres da família
Cresceu na periferia de Francisco Morato, também na Região Metropolitana, criada pela mãe, tias e avós.
Fonte: Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton; Politize!, perfil de Erika Hilton
- Adolescência
Itu e a saída de casa
Na adolescência foi morar em Itu (SP) com familiares. Por volta dos 15 anos deixou a casa onde vivia e passou a morar na rua. As fontes divergem quanto à idade (entre 14 e 16 anos) e ao tempo nessa situação (de cinco a seis anos). Em entrevista de 2020, ela própria relatou que se sustentou com prostituição nesse período.
Fonte: Politize!, perfil de Erika Hilton; Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton; Alma Preta, 20/11/2020
- Cerca de 20 anos
Volta a estudar
Depois de cinco a seis anos, reatou o contato com a mãe, voltou a morar com ela e retomou os estudos. Concluiu o ensino médio pela Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Fonte: Politize!, perfil de Erika Hilton; Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton
A carteirinha, o PSOL e a universidade
Um pedido para usar o nome social na carteirinha de ônibus de Itu virou abaixo-assinado, filiação partidária e o caminho para a UFSCar.
- 2015
O nome social na carteirinha
Em Itu, a empresa de ônibus se recusou a registrar seu nome social na carteirinha de transporte estudantil. Um abaixo-assinado no Change.org reuniu 6.175 assinaturas e a Viação Itu corrigiu o documento.
Fonte: Politize!, perfil de Erika Hilton; Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton
- 2015
Filia-se ao PSOL
O caso chamou a atenção do PSOL, que a convidou a se filiar. Ela entrou no partido naquele ano.
Fonte: Politize!, perfil de Erika Hilton; Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton
- 2016
Candidatura em Itu que não foi homologada
Aceitou concorrer a vereadora de Itu pelo PSOL, mas a candidatura não foi homologada. A Wikipédia atribui a falha a um erro no registro. O PautaBR não encontrou outra fonte sobre esse episódio.
Fonte: Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton
- 2017
Entra na UFSCar
Ingressou na Universidade Federal de São Carlos. A Câmara registra a formação em Pedagogia; as biografias dizem que ela também cursou Gerontologia. Foi na universidade que se aproximou do movimento estudantil.
Fonte: Câmara dos Deputados, biografia e Dados Abertos (consulta de 29/10/2026); Politize!, perfil de Erika Hilton; Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton
A Bancada Ativista e o mandato coletivo
Em 2018 ela fez parte de um mandato coletivo na Assembleia Legislativa de São Paulo. Dois anos depois, saiu sozinha.
- 7/10/2018
A Bancada Ativista chega à Alesp
Ela integrou a Bancada Ativista, mandato coletivo do PSOL cuja cabeça de chapa, Mônica Seixas, foi eleita deputada estadual com 149.844 votos. Oficialmente só Mônica Seixas ocupava a vaga; Erika atuava como assessora do mandato, que a Politize! descreve como “codeputada”.
Fonte: Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton; Politize!, perfil de Erika Hilton
- Nov/2020
Avaliação do mandato coletivo
Em entrevista à Alma Preta, disse que “mandatos coletivos têm potência, mas não são solução de tudo” e criticou a experiência da Bancada Ativista, que, a seu ver, reunia pessoas com ideias diferentes.
Fonte: Alma Preta, 20/11/2020
“Mandatos coletivos têm potência, mas não são solução de tudo.”
Vereadora de São Paulo e a CPI da violência contra pessoas trans
Com 50.508 votos, ela foi a primeira mulher trans eleita para a Câmara Municipal de São Paulo e presidiu a CPI que terminou com 189 recomendações.
- 15/11/2020
Eleita vereadora com 50.508 votos
Candidata pelo PSOL, teve 50.508 votos. O jornal O Povo a coloca como a sexta pessoa mais votada de São Paulo e a primeira entre as mulheres; a Câmara Municipal a descreveu em 2021 como a mulher mais votada do país naquela eleição. O PautaBR não conferiu o ranking nacional. Foi a primeira mulher trans eleita para a Câmara paulistana.
Fonte: Câmara Municipal de São Paulo, 14/1/2021; O Povo, 17/11/2020; Metrópoles; Alma Preta, 20/11/2020
- 1º/1/2021
Posse na 18ª legislatura
Tomou posse como vereadora, em primeiro mandato. Presidiu a Comissão de Direitos Humanos e liderou a bancada do PSOL.
Fonte: Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton; Politize!, perfil de Erika Hilton; Câmara Municipal de São Paulo, 14/1/2021
- 2021–2022
Leis aprovadas
Entre as leis de sua autoria aprovadas na Câmara Municipal estão a que criou o Dia Municipal pela Vacinação e em Defesa das Trabalhadoras da Saúde (Lei 17.609, de 2021) e a que criou o Fundo Municipal de Combate à Fome (Lei 17.752, de janeiro de 2022, em coautoria).
Fonte: Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton; Politize!, perfil de Erika Hilton
- Set/2021
Instala a CPI e a preside
Por iniciativa dela foi instalada a CPI da Violência contra Pessoas Trans e Travestis, da qual foi presidente.
Fonte: Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton; Câmara Municipal de São Paulo, 19/8/2022
- Out–dez/2021
Prêmios e reconhecimento internacional
Entrou na lista Next Generation Leaders da revista Time, recebeu o prêmio Generation Change no MTV Europe Music Awards e, em dezembro, o título de Visitante Ilustre de Montevidéu.
Fonte: Politize!, perfil de Erika Hilton; Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton
- 19/8/2022
Relatório final da CPI
A Câmara Municipal aprovou o relatório final da CPI, com 189 recomendações dirigidas a 33 instituições públicas e privadas. A saúde foi o eixo com mais sugestões, mais de 40.
Fonte: Câmara Municipal de São Paulo, 19/8/2022
“Não serei tombada na política.”
Deputada federal: a posse, a Frente LGBT e a liderança
Eleita com 256.903 votos, foi uma das duas primeiras mulheres trans a chegar à Câmara dos Deputados.
- 2/10/2022
Eleita deputada federal com 256.903 votos
Pelo PSOL de São Paulo, teve 256.903 votos. A Agência Câmara registra que ela e Duda Salabert (PSOL-MG) foram as duas primeiras mulheres trans eleitas para a Câmara.
Fonte: Brasil de Fato, 4/10/2026; Agência Câmara, 5/10/2026
- 1º/2/2023
Toma posse na 57ª legislatura
Os registros da Câmara marcam o início do exercício em 1º de fevereiro de 2023, dia da posse da legislatura.
Fonte: Câmara dos Deputados, biografia e Dados Abertos (consulta de 29/10/2026)
- Mai/2023
Secretaria da Mulher e Direitos Humanos
Tornou-se titular da Secretaria da Mulher (4/5/2023) e foi 2ª vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial em 2023 e 2024.
Fonte: Câmara dos Deputados, biografia e Dados Abertos (consulta de 29/10/2026)
- 19/9/2023
Frente Parlamentar da Comunidade LGBTI+
Criou a Frente Parlamentar em Defesa da Cidadania e dos Direitos da Comunidade LGBTI+, que reuniu mais de 210 parlamentares da Câmara e do Senado.
Fonte: Politize!, perfil de Erika Hilton; Wikipédia (pt), verbete Erika Hilton
- 16/1/2024
Lei 14.821/2024: trabalho digno para a população em situação de rua
O PL 2245/2023, de autoria dela, apresentado em abril de 2023, virou a Lei 14.821/2024 (DOU de 17/1/2024) e instituiu a Política Nacional de Trabalho Digno e Cidadania para a População em Situação de Rua.
Fonte: Câmara dos Deputados, Dados Abertos: PL 2245/2023 (tramitação)
- Fev/2024
Líder da Federação PSOL-Rede
Foi líder da Federação PSOL-Rede na Câmara de fevereiro de 2024 a fevereiro de 2025. Integrou também o Grupo de Trabalho sobre regulamentação das redes sociais (junho a dezembro de 2024).
Fonte: Câmara dos Deputados, biografia e Dados Abertos (consulta de 29/10/2026)
- 5/12/2024
Carolina Maria de Jesus no Livro dos Heróis
A Câmara aprovou e enviou ao Senado o PL 773/2024, de autoria dela, que inscreve a escritora Carolina Maria de Jesus no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Em 29/10/2026 o projeto seguia aguardando o Senado.
Fonte: Câmara dos Deputados, Dados Abertos: PL 773/2024 (tramitação)
“Já dá para dizer: TRAVESTI PRETA ELEITA!”
A PEC do fim da escala 6x1 e as votações de 2025
Em 2025 ela passou a encabeçar a campanha pela PEC que acabaria com a escala 6x1 e relatou ameaças de morte depois de um vídeo sobre o Pix.
- 19/1/2025
Ameaças de morte após vídeo sobre o Pix
Depois de publicar um vídeo sobre a fiscalização do Pix, relatou ameaças de morte recebidas pela internet e pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito. Segundo a assessoria, as mensagens partiram de perfis na rede X. Em julho de 2025, anunciou reunião com o diretor-geral da PF após novos ataques e vazamento de dados. O PautaBR não encontrou desfecho das investigações.
Fonte: O Povo, 20/1/2025; Congresso em Foco, jan/2025; Diário do Grande ABC, jul/2025
- Nov/2024 – 25/2/2025
A PEC do fim da escala 6x1
Em novembro de 2024 ela passou a encabeçar a campanha por uma PEC que acabasse com a escala 6x1. A proposta dela foi protocolada com o número 8/2025 em 25/2/2025 e previa a jornada de 4 dias de trabalho por semana (modelo 4x3).
Fonte: Correio Braziliense, nov/2024; Câmara dos Deputados, Dados Abertos: PEC 8/2025
- 16/9/2025
Vota contra a PEC das prerrogativas
Votou Não à PEC 3/2021, a chamada PEC da Blindagem, que mudava as prerrogativas parlamentares. A Câmara a aprovou em primeiro turno por 353 a 134.
Fonte: Câmara dos Deputados, Dados Abertos: votação 2270800-135
- 10/12/2025
Vota contra a dosimetria
Votou Não ao substitutivo do PL 2162/2023, conhecido como PL da Dosimetria, aprovado por 291 a 148. O projeto original concedia anistia a participantes de manifestações de motivação política.
Fonte: Câmara dos Deputados, Dados Abertos: votação 2358548-89
“Não haverá nenhuma entrega a mais além da necessária que é dar ao trabalhador brasileiro um dia a mais de descanso”
A Comissão da Mulher, os tribunais e a emenda
Em 2026 ela presidiu a Comissão da Mulher, virou parte de processos de ambos os lados e viu a emenda do fim da 6x1 ser promulgada.
- 11/3/2026
Eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher
Foi eleita com 11 votos e 10 em branco, substituindo Célia Xakriabá (PSOL-MG). É a primeira mulher trans a presidir a comissão. Deputadas da oposição, como Clarissa Tércio (PP-PE), criticaram a escolha; a deputada Erika Kokay (PT-DF) a defendeu.
Fonte: Agência Câmara, 11/3/2026; CNN Brasil
- 11/8/2026
Conselho de Ética mantém representação
Por 10 votos a 5, o Conselho de Ética aprovou a admissibilidade de uma representação do partido Missão, protocolada em 11/3, por uma publicação dela no X que chamou de “imbeCIS” quem criticava. Não houve julgamento do mérito. A defesa, feita por Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP), pediu o arquivamento e negou quebra de decoro. Erika Hilton chamou o processo de caça às bruxas. Em outubro o PautaBR não encontrou nova decisão.
Fonte: Diário do Grande ABC (Estadão), 11/8/2026; SBT News; Correio da Manhã
- 26–27/5/2026
Comissão especial e plenário aprovam a PEC
A PEC 221/2019 foi aprovada na comissão especial por 34 a 4 e, em 27 de maio, no plenário: 472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo. Erika Hilton votou Sim nas duas votações.
Fonte: Câmara dos Deputados, Dados Abertos: votações 2233802-401, -424 e -438
- 17/6 – 25/9/2026
Direito de resposta no programa do Ratinho
Em 17/6 a Justiça de São Paulo mandou o SBT exibir resposta dela a falas do apresentador Ratinho sobre sua identidade. Em 2/7 um desembargador suspendeu a ordem até o julgamento do recurso. Em agosto, a 3ª Câmara de Direito Privado do TJSP manteve a decisão por unanimidade e, em 25/9, o SBT exibiu a resposta, de cerca de 2 minutos. O SBT disse não comentar processos.
Fonte: Congresso em Foco; Itatiaia; Metrópoles; Gazeta SP; Correio Braziliense (TV Prime), 26/9/2026
- 13/3/2026
Ação do MPF contra Ratinho e o SBT
O MPF ajuizou ação civil pública na Justiça Federal pedindo R$ 10 milhões por danos morais coletivos pelas falas de Ratinho. A juíza Clarides Rahmeier, de Porto Alegre, enviou o caso à conciliação. Não há decisão de mérito. O SBT disse rejeitar qualquer forma de discriminação.
Fonte: Migalhas; Jovem Pan; TNH1; Bem Paraná
- 31/7/2026
Toffoli rejeita queixa-crime de uma entidade
O ministro Dias Toffoli, do STF, rejeitou a queixa-crime do Núcleo de Mulheres Fortes que Levantam Outras Mulheres (Petição 15716) contra ela por injúria, difamação e violência política de gênero. Ele entendeu que a entidade não tem legitimidade para processar em nome de mulheres indeterminadas, apontou falta de documentos e disse que as falas estão cobertas pela imunidade parlamentar.
Fonte: Congresso em Foco, 4/8/2026; O Antagonista
- 14/10 – 16/10/2026
Senado aprova e o Congresso promulga a EC 141
O Senado aprovou a PEC em dois turnos em 14/10, por 75 votos a 1 em cada um. Em 16/10 o Congresso promulgou a Emenda Constitucional 141, que garante dois dias de descanso semanal remunerado, reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas e tem transição de dois meses (42 horas) a 14 meses (40 horas). O texto aprovado é uma alternativa à PEC 221/2019 e à PEC 8/2025, de Erika Hilton, que foi arquivada.
Fonte: Agência Câmara, 16/10/2026; Senado Notícias, 16/10/2026; Agência Brasil, out/2026
- Out/2026
Condenação de André Fernandes por vídeo
A 44ª Vara Cível de São Paulo condenou o deputado André Fernandes (PL) a pagar R$ 50 mil por danos morais a Erika Hilton por um vídeo publicado em maio e considerado transfóbico pelo juiz Guilherme Madeira Dezem. Fernandes alegou imunidade parlamentar, tese rejeitada. A sentença cabe recurso.
Fonte: Diário do Nordeste, out/2026; Boca
“não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande”
“foi completamente contaminado por um discurso odioso”
“É OFICIAL: ACABOU A ESCALA 6x1! APROVADA A NOSSA PEC EM 2º TURNO NO SENADO”
1,6 milhão de votos
Reeleita pelo PSOL, ela se tornou a mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados.
- 4/10/2026
Reeleita com 1.596.472 votos
Teve 1.596.472 votos em São Paulo no balanço final; na apuração de 99,99% das urnas o número era 1.596.383. Ficou em segundo no estado, atrás de Lucas Pavanato (PL), com cerca de 3,04 milhões, e foi a mulher mais votada da história da Câmara. O recorde anterior era de Joice Hasselmann, com 1.078.666 votos em 2018. Em 2022 ela tivera 256.903.
Fonte: TRE-SP, out/2026; Agência Câmara, 5/10/2026; Brasil de Fato, 4/10/2026
- 4/10/2026
Ameaça de morte no dia da votação
No dia da eleição ela recebeu por e-mail uma ameaça de morte, às 10h26, registrou boletim de ocorrência e pediu investigação. Ela disse que as ameaças recorrentes contra ela e sua família não a calarão. O e-mail foi enviado por um serviço que dificulta o rastreamento.
Fonte: Brasil de Fato, 4/10/2026
- 25/10/2026
Segundo turno
Em 4/10 ela disse que a vitória só seria completa com a reeleição do presidente Lula. O segundo turno foi em 25/10; o resumo do PautaBR sobre a eleição traz o resultado.
Fonte: Brasil de Fato, 4/10/2026; PautaBR, A eleição de 2026
“Essa vitória não é minha, é coletiva.”
Da periferia ao plenário em 19 marcos.
- 1992Vida · 9/12
Nasce em Franco da Rocha
Cresce em Francisco Morato, criada por mulheres da família.
Ir ao capítulo → - 2015Política
A carteirinha de Itu
Abaixo-assinado com 6.175 assinaturas e filiação ao PSOL.
Ir ao capítulo → - 2018Urna · 7/10
Bancada Ativista
Mandato coletivo elege Mônica Seixas na Alesp, com 149.844 votos.
Ir ao capítulo → - 2020Urna · 15/11
Vereadora com 50.508 votos
A primeira mulher trans na Câmara Municipal de São Paulo.
Ir ao capítulo → - 2021Política · set
CPI da violência trans
Instalada por iniciativa dela, que a presidiu.
Ir ao capítulo → - 2022Urna · 2/10
Deputada federal
256.903 votos; uma das duas primeiras mulheres trans eleitas.
Ir ao capítulo → - 2025Política · 16/9
Vota contra a PEC da Blindagem
Aprovada na Câmara em 1º turno por 353 a 134.
Ir ao capítulo → - 2026Lei · 16/10
Emenda Constitucional 141
Fim da escala 6x1 promulgado pelo Congresso.
Ir ao capítulo →
Três eleições e um salto de 50 mil para 1,6 milhão de votos.
Os votos dela em cada eleição que disputou como candidata individual. Entre 2020 e 2022 a votação foi multiplicada por mais de cinco; entre 2022 e 2026, por mais de seis.
Todas as colunas na mesma escala. 2020 foi eleição municipal (vereadora de São Paulo); 2022 e 2026, para a Câmara dos Deputados por São Paulo. Em 2018 ela integrou a Bancada Ativista, cuja cabeça de chapa teve 149.844 votos para a Alesp; esse total era do mandato coletivo e não está no gráfico. Fontes: Wikipédia (dados do TSE); O Povo, 17/11/2020; Brasil de Fato, 4/10/2026; Wikipédia (dados do TSE); TRE-SP; Agência Câmara, 5/10/2026; Brasil de Fato.
O que ela propôs e como votou.
Projetos de lei, de lei complementar, de emenda constitucional e de decreto legislativo em que consta como autora e um recorte de votações nominais de plenário. Dados abertos da Câmara, consultados em 29 de outubro de 2026.
Proposições por ano
127 proposições (PL, PLP, PEC e PDL) em que consta como autora; 70 como primeira autora. 2026 vai até 29/10. Fonte: Dados Abertos da Câmara, consulta de 29/10/2026. Requerimentos e emendas ficam de fora.
O que aconteceu com elas
- 2 viraram lei (Lei 14.821/2024 (primeira autora) e Lei 15.124/2025 (coautora))
- 3 aprovadas na câmara, no senado (PL 773/2024, PLP 136/2024 e PLP 41/2026)
- 119 em tramitação (inclui apensadas, aguardando relator e prontas para a pauta)
- 3 arquivadas (entre elas a PEC 8/2025, absorvida pela PEC 221/2019)
Duas viraram lei: a 14.821/2024, de trabalho digno para a população em situação de rua (ela é a primeira autora), e a 15.124/2025, que combate a discriminação de gestantes e cuidadoras em processos seletivos de bolsas (coautora, com Célia Xakriabá como primeira signatária). A maior parte do restante aguarda relator ou tramita apensada a outro projeto.
Votações nominais selecionadas
| Data | Votação | Voto dela | Placar |
|---|---|---|---|
| 7/7/2023 | PEC 45/2019: reforma tributária, 2º turno | Sim | 375 × 113 · Aprovada |
| 15/7/2025 | PEC 66/2023: precatórios dos municípios, 2º turno | Não | 367 × 97 · Aprovada |
| 16/9/2025 | PEC 3/2021: blindagem, 1º turno | Não | 353 × 134 · Aprovada |
| 1º/10/2025 | PL 1087/2025: isenção do IR, substitutivo | Sim | 493 × 0 · Aprovado |
| 10/12/2025 | PL 2162/2023: dosimetria, substitutivo | Não | 291 × 148 · Aprovado |
| 16/12/2025 | PLP 108/2024: Comitê Gestor do IBS, substitutivo do Senado | Sim | 330 × 104 · Aprovado |
| 27/5/2026 | PEC 221/2019: fim da escala 6x1, 1º turno | Sim | 472 × 22 · Aprovada |
| 27/5/2026 | PEC 221/2019: fim da escala 6x1, 2º turno | Sim | 461 × 19 · Aprovada |
Placar da votação nominal indicada, sem contar abstenções e obstruções. Fonte: Dados Abertos da Câmara. A lista é uma seleção do PautaBR, não todas as votações da legislatura.
Da proposta de 4x3 à Emenda Constitucional 141.
A proposta dela (PEC 8/2025, jornada 4x3) foi arquivada ao ser reunida à PEC 221/2019, de Reginaldo Lopes (PT-MG). O texto que virou emenda é um substitutivo do relator Léo Prates (Republicanos-BA).
- Comissão especial da Câmara26/5/202634 × 4
- Plenário da Câmara, 1º turno27/5/2026472 × 22
- Plenário da Câmara, 2º turno27/5/2026461 × 19
- CCJ do Senado2/9/2026votação simbólica; 4 senadores contra
- Plenário do Senado, 1º turno14/10/202675 × 1
- Plenário do Senado, 2º turno14/10/202675 × 1
Em verde, votos Sim; em carmim, Não. Fontes: Dados Abertos da Câmara (votações 2233802-401, -424 e -438) e Agência Câmara e Senado Notícias (CCJ e plenário do Senado, com promulgação em 16/10/2026).
Sete casos e o estado de cada um em 29 de outubro de 2026.
Cada cartão traz o órgão, se ela é a parte ofendida ou a acusada, a última decisão ou andamento que o PautaBR encontrou em fonte aberta, a resposta dela e a fonte. “Sem desfecho localizado” quer dizer que não achamos decisão posterior, não que o caso tenha acabado.
7 casos · arraste ou use as setas
- Câmara dos DeputadosEm cursoEla é a parte acusada
Conselho de Ética: publicação “imbeCIS”
Representação do partido Missão, de 11/3/2026, pede a cassação por quebra de decoro por uma publicação no X.
Última decisão ou andamentoAdmissibilidade aprovada por 10 a 5 em 11/8/2026; relator Cabo Gilberto Silva (PL). Sem avaliação do mérito. Uma segunda representação, do Novo (14/3), não tem desfecho nas fontes.Resposta delaA defesa pediu o arquivamento e negou quebra de decoro; ela chamou o processo de caça às bruxas e disse que a frase foi tirada de contexto.Fonte: Diário do Grande ABC, 11/8/2026; SBT News; Correio da Manhã
- STF (Toffoli)EncerradoEla é a parte acusada
Pet 15716: queixa-crime do Núcleo de Mulheres Fortes
Queixa por injúria, difamação e violência política de gênero com base em publicações e falas na Comissão da Mulher.
Última decisão ou andamentoRejeitada em 31/7/2026: ilegitimidade da entidade, falta de documentos e imunidade parlamentar. As fontes não informam recurso.Resposta delaNão houve manifestação de mérito dela nas fontes; a decisão é do ministro.Fonte: Congresso em Foco, 4/8/2026; O Antagonista
- STF (Toffoli)Sem desfecho localizadoEla é a parte acusada
Pedido de explicações de Ratinho
O apresentador pediu que ela explique a quem se referia numa publicação de março. Antes, pedido semelhante tramitou no TJDFT.
Última decisão ou andamentoRelator sorteado em 16/6/2026. Sem decisão nas fontes; a assessoria dela diz que não foi notificada e espera o arquivamento.Resposta delaA assessoria afirma que a parlamentar não foi notificada e acredita que a ação será arquivada.Fonte: Metrópoles, 17/6/2026; Revista Oeste
- TJSPEncerradoEla é a parte ofendida
Direito de resposta no SBT
Falas de Ratinho em 11/3/2026 de que ela não seria mulher e não deveria presidir a Comissão da Mulher.
Última decisão ou andamento17/6: juiz André Della Latta Cartaxo manda exibir a resposta; 2/7: efeito suspensivo; 16/8: 3ª Câmara de Direito Privado mantém, por unanimidade; 25/9: SBT exibe cerca de 2 minutos.Resposta delaO SBT alegou que direito de resposta só vale para conteúdo jornalístico e disse que não comenta processos; o tribunal rejeitou a tese.Fonte: Congresso em Foco; Itatiaia; Metrópoles; Gazeta SP; Correio Braziliense (TV Prime), 26/9/2026
- Justiça Federal (Porto Alegre)Em cursoEla é a parte ofendida
Ação civil pública do MPF contra Ratinho e o SBT
O MPF pede R$ 10 milhões por danos morais coletivos, a retirada do episódio e a retratação pública.
Última decisão ou andamentoAjuizada em 13/3/2026; a juíza Clarides Rahmeier enviou o caso à conciliação. Sem decisão de mérito.Resposta delaO SBT disse rejeitar qualquer discriminação e preconceito.Fonte: Migalhas; Jovem Pan; TNH1; Bem Paraná
- TJSP, 44ª Vara CívelEm cursoEla é a parte ofendida
Ação contra o deputado André Fernandes
Vídeo publicado em maio de 2026 considerado transfóbico, depois de embate na Câmara sobre a 6x1.
Última decisão ou andamentoCondenado a pagar R$ 50 mil por danos morais (sentença assinada em 5/10/2026) e retirada do vídeo. Cabe recurso; não há notícia de recurso.Resposta delaFernandes alegou imunidade parlamentar; o juiz tratou a postagem como ato separado e rejeitou a tese.Fonte: Diário do Nordeste, out/2026; Boca
- Polícia Federal e polícia civilSem desfecho localizadoEla é a parte ofendida
Ameaças de morte
Ameaças após vídeo sobre o Pix (jan/2025) e por e-mail no dia da eleição (4/10/2026), com boletim de ocorrência.
Última decisão ou andamentoPedido de inquérito à PF em 19/1/2025 e boletim de ocorrência em 4/10/2026. Nenhuma fonte informa identificação ou prisão de responsáveis.Resposta delaEla disse que ameaças recorrentes contra ela e a família não a calarão.Fonte: O Povo, 20/1/2025; Brasil de Fato, 4/10/2026
De onde vem cada dado.
A cronologia parte da biografia na Câmara dos Deputados e na Wikipédia e a confirma, quando possível, em dados abertos da Câmara, na Agência Câmara, no Senado Notícias, na Agência Brasil e em reportagens de veículos identificados. Fato controverso ou jurídico só entra com pelo menos duas fontes; onde só há uma, o texto diz isso. Onde as fontes divergem (a idade em que saiu de casa, os totais de votos de 2026, o ranking de 2020), o texto registra a divergência. Onde só uma fonte traz o dado e ele é grave, ele fica de fora.
Os dados de projetos e votos vêm da API de Dados Abertos da Câmara (proposições, autores, tramitações e votos nominais), consultada em 29/10/2026. “Autora” inclui coautoria. As aspas são literais e foram conferidas no texto das páginas indicadas; cada uma traz data, contexto e link. Citações de redes sociais foram tiradas da reportagem que as reproduz.
As ilustrações são gravuras originais do PautaBR, criadas com ferramenta de imagem generativa a partir de fotografias livres de cada época (lista abaixo). As feições são estilizadas. As cenas da infância e da família são ilustrativas e não mostram pessoas reais; nas da EJA e da UFSCar as feições seguem uma foto de 2019, porque não há fotos públicas dela nessas fases, e o cenário da UFSCar parte de fotos do campus. As gravuras baseadas em fotos CC BY-SA são compartilhadas sob a mesma licença.
Pendências conhecidas: mérito da representação no Conselho de Ética, decisão sobre o pedido de Ratinho no STF, andamento da ação do MPF e recurso de André Fernandes. O especial será atualizado quando houver fonte.
Fotos usadas como referência
- Capa e fechamento (tribuna, 9/7/2025): Vinicius Loures / Câmara dos Deputados, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.
- Campanha de 2020: Fábio Felix, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.
- Bancada Ativista, EJA e UFSCar (foto de 2019): Mídia Ninja, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.
- CPI da violência trans (2021): Intendência de Montevidéu, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
- Posse (1º/2/2023): Câmara dos Deputados, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.
- Comissão da Mulher e PEC 6x1 (2026): Bruno Spada / Câmara dos Deputados, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.
- Capa, promulgação, reeleição e fechamento (retrato de 2025): Lula Oficial, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.
- Campus da UFSCar (portal): Lukaskk, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.
- Campus da UFSCar (prédios, 2018): Sturm, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
- Reeleição (2023): Vinicius Loures / Câmara dos Deputados, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.
- Câmara dos Deputados: biografia da deputada
- Câmara dos Deputados: Dados Abertos (proposições, autores, comissões, votações e votos)
- Agência Câmara: Erika Hilton é eleita presidente da Comissão dos Direitos da Mulher (11/3/2026)
- Agência Câmara: Erika Hilton é a campeã de votos da bancada feminina (5/10/2026)
- Agência Câmara: Congresso promulga emenda que acaba com escala 6x1 (16/10/2026)
- Senado Notícias: Congresso promulga o fim da escala 6x1 (16/10/2026)
- Agência Brasil: Erika Hilton rejeita negociação sobre compensações na PEC da 6x1 (20/5/2026)
- Agência Brasil: Saiba quando começa a valer o fim da escala 6x1
- TRE-SP: deputadas e deputados federais eleitos por São Paulo (out/2026)
- Brasil de Fato: Erika Hilton é reeleita com quase 1,6 milhão de votos (4/10/2026)
- Câmara Municipal de São Paulo: relatório final da CPI da Violência contra Trans e Travestis (19/8/2022)
- Câmara Municipal de São Paulo: primeira mulher trans eleita vereadora (14/1/2021)
- O Povo: número de pessoas trans eleitas vereadoras triplica (17/11/2020)
- Alma Preta: Erika Hilton, “serei a rainha Nzinga” (20/11/2020)
- Alma Preta: Erika Hilton se elege primeira deputada federal trans (3/10/2022)
- Politize!: perfil de Erika Hilton
- Correio Braziliense: quem é a deputada que encabeça a PEC do fim da escala 6x1 (nov/2024)
- A Tarde: Erika Hilton comemora aprovação da PEC no Senado (14/10/2026)
- Folha de Pernambuco: Erika Hilton diz que nomeação foi contaminada por discurso odioso (31/3/2026)
- Itatiaia: TJ-SP suspende a decisão que obrigava o SBT a conceder o direito de resposta (jul/2026)
- Congresso em Foco: Justiça dá direito de resposta a Erika Hilton (jun/2026)
- Migalhas: MPF pede condenação de R$ 10 mi por fala de Ratinho sobre Erika Hilton
- Congresso em Foco: Toffoli rejeita queixa-crime de grupo de mulheres contra Erika Hilton (4/8/2026)
- Metrópoles: Toffoli decidirá imbróglio entre Ratinho e Erika Hilton (17/6/2026)
- Diário do Grande ABC (Estadão): processo contra Erika Hilton avança por 10 votos a 5 (11/8/2026)
- SBT News: Erika Hilton reage a processo de cassação
- Diário do Nordeste: Justiça condena André Fernandes a pagar R$ 50 mil a Erika Hilton
- O Povo: Erika Hilton aciona a Polícia Federal por ameaças de morte após vídeo sobre o Pix (20/1/2025)
- Correio Braziliense (TV Prime): resposta da deputada é exibida no Programa do Ratinho (26/9/2026)
- Gazeta SP: Justiça obriga SBT a exibir resposta de Erika Hilton
- Wikipédia (pt): Erika Hilton, para a cronologia e as referências
- Wikimedia Commons: fotos de Erika Hilton usadas como referência das gravuras
- A eleição de 2026: o resumo (PautaBR)
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