Máfia do pau-brasil: esquema ilegal abastece mercado global de violinos

Varetas de pau-brasil apreendidas pelo Ibama armazenadas em cofre metálico, com etiquetas manuscritas identificando empresas suspeitas de envolvimento no esquema ilegal de extração e exportação da madeira
Um esquema criminoso de extração e comercialização ilegal de pau-brasil — a árvore que deu nome ao país e espécie ameaçada de extinção — abastece o mercado internacional de instrumentos musicais de luxo, especialmente arcos de violino. A reportagem da Agência Pública revela que lotes da madeira apreendidos pelo Ibama chegam acompanhados de documentação fraudulenta vinculada a empresas de fachada, expondo uma rede sofisticada de biopirataria com ramificações globais.
As varetas de pau-brasil confiscadas, armazenadas em cofres na sede do Ibama, representam apenas a ponta de um iceberg de um comércio clandestino altamente lucrativo. A madeira é cobiçada por luthiers europeus e asiáticos por suas propriedades acústicas únicas e pela rigidez ideal para a fabricação de arcos de instrumentos de corda. A raridade da espécie eleva ainda mais seu valor no mercado negro internacional.
O caso levanta questões urgentes sobre a fiscalização do comércio internacional de espécies protegidas pela Convenção CITES e sobre a responsabilidade de fabricantes e comerciantes de instrumentos musicais na rastreabilidade de seus insumos. A árvore símbolo nacional, já dizimada em mais de 90% de sua população original, segue sendo explorada ilegalmente décadas após sua proteção legal. (Fonte: Agência Pública — https://apublica.org/2026/07/pau-brasil-como-se-da-esquema-ilegal-da-madeira-que-nomeou-pais/)


