Cacique Raoni, 93 anos, retorna à UTI com hemorragia e pneumotórax

Ilustracao conceitual gerada por IA
O cacique Raoni Metuktire, maior liderança indígena do Brasil e símbolo mundial da luta pela preservação da Amazônia, retornou à Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Paulo, da Unifesp, nesta quarta-feira (1º), após apresentar hemorragia digestiva, complicação tratada por endoscopia. A equipe médica informou que ele permanece consciente, sem febre e respirando sem suporte ventilatório, mas que foi identificado também um pneumotórax — acúmulo de líquido no pulmão direito —, drenado sem intercorrências. Aos 93 anos, Raoni enfrenta uma sequência de complicações desde sua internação emergencial em Sinop (MT), no dia 15 de junho.
A trajetória de internações reflete a vulnerabilidade à qual lideranças indígenas idosas são submetidas, muitas vezes distantes de estruturas adequadas de saúde em seus territórios. Raoni foi transferido de Mato Grosso para São Paulo após quatro dias de estabilização, chegando à capital paulista no dia 19 de junho com obstrução intestinal alta e pneumonia aspirativa. A cirurgia intestinal realizada no dia 20 foi bem-sucedida, mas o quadro segue exigindo cuidados intensivos. Sua situação coloca em evidência as demandas históricas por uma política de saúde indígena robusta e descentralizada.
O caso de Raoni ocorre em meio a avanços e retrocessos nas políticas indigenistas: enquanto o Ministério da Saúde anuncia comitês para reduzir mortalidade materna e infantil indígena e a Justiça determina a demarcação de novas terras, lideranças como ele seguem dependentes de estruturas hospitalares urbanas para tratamentos de alta complexidade. A saúde e a integridade de Raoni são acompanhadas com atenção por povos indígenas, movimentos sociais e organizações internacionais. Fonte: Agência Brasil (https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-07/cacique-raoni-volta-para-unidade-de-terapia-intensiva).


